O cinema brasileiro vive um momento de celebração com o sucesso de Homem com H, cinebiografia que mergulha na vida e na obra de um dos maiores ícones da música nacional, Ney Matogrosso. À frente do projeto, o ator Jesuíta Barbosa entrega uma performance arrebatadora, capturando não apenas a estética, mas a essência libertária e a complexidade vocal do artista. O longa, dirigido por Esmir Filho, tornou-se um fenômeno de audiência, alcançando o topo das produções mais assistidas na Netflix e consolidando o talento de Barbosa como um dos nomes mais versáteis de sua geração.
Raízes e a construção de um protagonista
Nascido em Salgueiro, Pernambuco, e criado entre o Ceará e outros estados, Jesuíta Barbosa construiu uma trajetória sólida antes de assumir o desafio de viver Ney. Sua formação artística, iniciada no teatro em Fortaleza, preparou o terreno para uma carreira marcada por papéis densos no cinema e na televisão. Para o papel de Ney, o ator passou por um rigoroso processo de preparação, que incluiu aulas de voz para alcançar a vibração única do cantor e uma observação atenta aos trejeitos do ídolo, com quem chegou a conviver durante a pré-produção.
O diretor Esmir Filho revelou que, embora tenha realizado testes com diversos atores, o nome de Jesuíta sempre foi a escolha natural para o papel. A narrativa do filme não se limita a uma biografia linear; ela propõe um recorte sobre a luta de um homem contra as imposições de uma sociedade conservadora, destacando o conflito com a figura paterna e a busca incessante pela autenticidade. O elenco conta ainda com nomes como Bruno Montaleone e Jullio Reis, que dão vida a figuras centrais na trajetória afetiva e profissional de Ney.
Um marco de liberdade e impacto cultural
O filme vai além da música, abordando temas como sexualidade, ditadura militar e a subversão das normas de gênero. Ao retratar a vida de Ney Matogrosso, a obra convida o público a refletir sobre a coragem de ser quem se é, independentemente das pressões externas. A recepção calorosa do público, que tem compartilhado a experiência através do "boca a boca", é apontada pelo próprio Jesuíta como o maior reconhecimento de seu trabalho.
"Ter essa liberdade e defender aqueles que precisam de liberdade é uma responsabilidade absurda. Acho que o filme em si é isso, essa subversão do que é liberdade, do que é libertário."
Além do sucesso nas telas, o ator tem se destacado por sua postura reflexiva sobre o cenário audiovisual brasileiro. Em entrevistas recentes, Barbosa ressaltou a importância de investir na formação de roteiristas e na criação de histórias originais para manter o cinema nacional competitivo e relevante. Com a maturidade de quem já acumula mais de uma década de carreira, o ator segue tateando novos caminhos, provando que sua entrega em Homem com H é apenas um dos muitos capítulos de uma trajetória artística que ainda promete grandes surpresas para o público brasileiro.




